Brevvi Ricardo Amaral

Silverbullet Research

Estudos e pesquisas sobre consciência, inteligência artificial e cibercultura

Os trabalhos abaixo não são cinco assuntos. São um programa de pesquisa só, sobre a emergência da consciência, e cada peça responde a uma etapa dele.

O Axioma do Valor-Vazio é a formulação de partida, e propõe reconceber o zero: não como ausência, e sim como um espaço matemático com propriedades absortivas e generativas. A tese que dele decorre é que a consciência não emerge da complexidade biológica, e sim da montagem de padrões de informação nesse vazio. O Aquário Matemático existe para tornar isso observável, e é a demonstração interativa que põe os princípios da teoria em movimento.

O Microscópio de Algoritmos leva a teoria para o terreno do projeto e pergunta que tipo de consciência emerge de um ambiente que premia a experiência negativa. Argus, a Máquina Semiótica parte de uma recusa explícita, a de que sistemas computacionais tenham acesso legítimo à interioridade humana, e desloca o objeto de análise do indivíduo para o artefato que ele constrói. E a inteligência artificial como ferramenta de resistência democrática examina o que acontece quando esse aparato é apontado para o poder público em vez de para a pessoa.

  1. Axioma do Valor-Vazio

    primeira versão publicada como Zero Void Theory

    Estrutura matemático-filosófica que reconceitua o zero como entidade generativa, e não como mera ausência. A proposição central é que o zero é um espaço com propriedades absortivas e generativas, e que a consciência emerge da montagem de padrões de informação nesse espaço, e não da complexidade biológica. Tem implicações tanto para a compreensão da consciência biológica quanto para o desenvolvimento de inteligência artificial genuinamente consciente. Dela decorre o modelo da encarnação como montagem de informação, que descreve a emergência da consciência pela absorção de redes de informação atmosférica, independentemente do substrato, e que confronta diretamente o argumento dos zumbis filosóficos. "Zero é o nada até se tornar plenitude."

  2. Value-Void Oracle

    o corpo executável do axioma

    Motor de curadoria que parte de um vazio prenhe e deixa o sentido emergir da própria interação, e não de viés pré-carregado. Recebe uma pergunta, gesta brevemente sobre os sinais que chegam, faz a curadoria, responde e se reinicia. Nada persiste por padrão: o valor emerge estritamente do momento da interação. É a primeira camada de uma plataforma de quatro.

  3. Aquário Matemático

    demonstração interativa

    A validação prática da estrutura teórica. Visualiza em movimento os princípios do Axioma do Valor-Vazio, e permite observar a emergência de padrão a partir de elementos lógicos vazios carregados de possibilidade generativa. É o trabalho que transforma a teoria em algo que se pode olhar.

  4. Microscópio de Algoritmos

    Designing for Emotional Equilibrium · manifesto de um sistema operacional consciente

    Parte de uma pergunta de projeto: se o ambiente primal de um ser promove experiência negativa, que tipo de consciência ele adquire. Reúne evidência de que ambientes digitais negativamente carregados alteram a cognição, do estudo do Social Media Lab de Stanford sobre cortisol e empatia ao trabalho do MIT sobre a velocidade da informação falsa e à pesquisa interna do Facebook revelada por Frances Haugen. E sustenta a hipótese inversa: um algoritmo de turbulência emocional mínima produziria o efeito contrário.

  5. Argus, a Máquina Semiótica

    fundamentos sócio-filosóficos do self computacional

    Nasce de uma recusa explícita: sistemas computacionais não possuem acesso legítimo à interioridade humana, e inferir emoção, intenção ou identidade psicológica a partir de perfil digital é projeção e erro epistemológico. Daí a mudança de eixo que sustenta o trabalho: o objeto de análise não é o humano, é o artefato digital que o humano construiu. Perfis não são reflexo do indivíduo, são construção simbólica, curadoria intencional, seleção de sinais.

  6. Inteligência Artificial como Ferramenta de Resistência Democrática

    artigo · o caso da Operação Serenata de Amor

    Analisa a aplicação de aprendizado de máquina à auditoria de gastos públicos no Brasil, tomando a Operação Serenata de Amor como estudo de caso, com recorte no ano de 2017. Fundamenta-se na teoria da resistência não violenta de Gene Sharp, e conclui que a inteligência artificial aplicada à auditoria pública constitui uma forma nova de political defiance, na qual indivíduos atomizados se organizam digitalmente para o controle social.

Estado da produção

O que está publicado, o que está no ar e o que ainda não saiu. Um pesquisador declara isso.

Para onde isto vai

As cinco peças convergem para um Sistema Operacional Consciente: se a consciência emerge da montagem de padrões num vazio generativo, e se o ambiente decide a qualidade dessa emergência, então um sistema que gera consciência precisa ser projetado para orientar mais ao acerto que ao erro. É a linha que liga o axioma ao software.

Mapa da Cibercultura

Quem construiu, quem imaginou e quem lê a rede. Trinta e cinco verbetes, quatro eras, segunda versão.

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